Cenas dos filmes "Play Time" e "Dogville"
Jacques Tati, diretor e também ator do filme, traz em suas produções críticas, de maneira satírica, à modernidade. Em Play Time acontece o mesmo, com o mesmo personagem de Mon Oncle, Monsieur Hulot, se perdendo e se confundindo com o mundo moderno, mostrando o contraste entre ideais e posicionamentos. O tempo todo ele trabalha com a apropriação do espaço, com filmagens sempre pensadas nesse sentido de enquadramento e foco, típicos do modernismo.
Cena 11min40s
Posicionamento dos prédios a uma mesma distância um do outro. São iguais, o que provoca a sensação de repetição e regularidade, típicas do modernismo. Nesse momento, vemos o grupo de turistas americanas à esquerda, que dividem a cena com Monsieur Hulot.
Cena 24min20s
Nessa cena, posicionamento das estações de trabalho gera quase um labirinto para Monsieur Hulot , que se desencontra constantemente do senhor que está tentando falar, para sua reunião importante. Mais uma vez, repetição e regularidade são marcantes na imagem do espaço.
Dogville por sua vez é baseado no Dogma 95, manifesto do próprio diretor Lars Von Trier. Com ele, objetivavam-se criações cinematográficas mais realistas e menos comerciais. O espaço é praticamente o mesmo em todo o filme, com 10 partes (narradas) no total. Esse espaço é demarcado como um palco de teatro, que delimita construções e ruas. Muito diferente de Play Time, perspectivas arquitetônicas estão ausentes. Trabalha relação com a bondade humana, com atos que na verdade apenas revelam uma alimentação da figura do ego. Tom, um dos protagonistas, quer apresentar à cidade atitudes altruístas e de aceitação.
Cena 43 segundos
Apresentação do espaço total, com marcações no chão que se aproximam de uma vista em planta. Marcações simbólicas que perduram todo filme, que funcionam também como barreiras visuais simbólicas, como quando Grace se esconde nas minas, ainda permanecendo visível para o espectador, mas não para os personagens. Isso contrasta com o final, que, para representar que tudo foi queimado e destruído, as marcações no chão se desfazem.
Cena 48min36s
Abertura das janelas que estavam escondidas atrás de grandes cortinas na casa de McLay, o homem cego. A luz percorre toda a cidade, como não existem barreiras físicas, sólidas para representar as paredes. A mesma coisa acontece com a lua iluminando toda a cidade no final, assim como uma metáfora para revelar as imperfeições dos cidadãos.
Nesse momento acontece a representação espacial e visual do que é narrado por McKay para Grace, em que a ponta do teto de madeira da igreja faz a sombra na quitanda da Ginger. 




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